04/09/2014

Semana Nu'Est - Diário de uma staff [Capítulo3]


Brasil. Ah, o tão famoso País Tropical, do samba, do carnaval e do futebol.
Quando se fala do Brasil, sempre vem aquela imagem de praia e calor... E é basicamente isso. Tirando a praia, porque tá um calor infernal em São Paulo e nem mesmo uma praia tem por perto.

- Alguém liga o ar condicionado desse lugar, pelo amor de Deus. – murmurei, enquanto prendia meu cabelo, na tentativa de amenizar o calor que sentia.

- Tá ligado, noona. – Aron rebateu ao meu lado. – E acho que tá no máximo.

- Ah, então alguém pede pra fechar a porta do inferno. – rebati e como resposta, ouvi a risada de Aron. – Nem mesmo o México é tão quente assim.

- Serio? – Ren me perguntou.

- Mentira, é mais quente. Mas faz tanto tempo que passei por lá, que nem me lembrava mais. – exclamei e vi o momento em que um homem que fazia parte da equipe se aproximava de nós.

- Tem muitos fãs ai fora. – o tal homem exclamou. – Mas pelo que percebi nenhum deles está disposto a fazer baderna. Mesmo assim, uma moça da equipe foi lá tentar conversar com eles.

Olhei pra cada um deles, e todos, sem exceção tentavam ver o que acontecia do lado de fora da sala de espera. Já é a segunda vez que eles viam ao Brasil, mas percebi que a ansiedade provavelmente era maior do que a primeira.

Levantei-me, deixando-os completamente perdidos na tentativa de achar algum fã perdido. Por falar em perdido, cadê meu fone?

Passei a procurar dentro da bolsa que carregava, e juro que acho um unicórnio aqui se eu quiser, menos meu fone.

- Inferno, cadê você? – murmurei, na tentativa ridícula de achar algo.

- Estou aqui! – JR exclamou e eu pulei em resposta ao susto. – Assustada, noona?

- De onde você saiu? – perguntei, e observei o momento em que JR olhava para os lados. – O que foi?

- Vem aqui. – ele seguiu na direção de um corredor que havia no local, enquanto eu ainda me mantinha parada. – Vem logo.

- O que você quer? – resmunguei, enquanto tentava alcança-lo – Para, criatura.

Nesse momento, JR empacou feito burro e voltou-se a mim. Eu estava praticamente correndo, e consequentemente trombei com o corpo no seu.

- Ai. – resmunguei.

- Viu, eu sabia que você vinha parar nos meus braços. – ele rebateu tentando conter o riso.

- Não acredito nisso. – rebati e tentei me soltar dele, sem sucesso. – Você é bem fortinho, não é? – seu olhar estava divertido o suficiente. – Cheiroso também.

- Obrigado, noona. – ele rebateu e um meio sorriso se formou em seus lábios. – Só isso?

- Tá calor aqui, ou sou eu? – ao ouvir tais palavras, JR fechou os olhos e acabou rindo de forma contida.

- Não, noona. – ele exclamou. – Está calor, e ficou mais quente com você tão perto.

- Meu Deus. – rebati sem pensar muito e me soltei dele, enquanto ele me olhava de forma divertida. – Passa, agora.


JR balançou a cabeça aos risos e passou ao meu lado, seguindo novamente ao local onde o restante do grupo estava. O que é isso? Decidiu me enlouquecer? Qual é? Depois de velha decidiu ter chilique de adolescente, Anastásia? Parou, hein. Respira. O que eu vim fazer aqui mesmo? Ah, meu fone!

Voltei a procurar ele dentro da bolsa e finalmente o encontrei. Legal, a próxima missão é desatar todos esses nos que se formaram. Porque fones fazem isso com pessoas como eu? Não entendo.

- Ana. - Bon-Hwa surgiu de algum lugar. – Vamos?

Assenti com a cabeça e o segui, mas não pra sala de espera, e sim pro outro lado. Havia uma porta enorme de vidro por onde passávamos, e algumas pessoas que nos viram começaram a gritar. Provavelmente pelo fato de saber que éramos da equipe do Nu’Est, ou porque me acharam bonita mesmo.

- Bom. - Bon-Hwa exclamou e direcionei minha atenção a ele. – Elas disseram que vão se comportar. Mas de qualquer forma é bom ficarmos espertos.

- Tem alguns seguranças ali. – olhei na direção de cinco homens enormes parados um pouco mais distante do grupo de garotas que aguardavam ansiosas o seu tão amado grupo. – Qualquer coisa, é só gritar.

- O grito é por sua conta. – ele rebateu e eu acabei rindo, enquanto voltávamos a caminhar novamente. – Cadê eles?

- Serve aqueles?  - apontei na direção de onde os meninos estavam e de forma automática eles nos olharam. – Vem.

Os chamei e fui obedecida de forma rápida, ao chegarem próximos de onde estávamos, Bon-Hwa os orientou de como funcionaria a saída deles do aeroporto, e de contrapartida já adiantou que teriam uma coletiva de imprensa quando chegássemos ao hotel. Basicamente falando, o dia deles seria cheio. Bom, então que esse dia acabe logo.

Após mais alguns minutos, a equipe começou a seguir na direção da van e dentre essas pessoas, eu. Mas algo me surpreendeu, as fãs que estavam no aeroporto não fizeram absolutamente nada, não tentaram agarrar os meninos. Os gritos e tentativas absurdas de chamar a atenção tinham, mas nada que os machucasse ou algo parecido. Eu não teria esse tipo de autocontrole, é serio.

Menos mal, não é verdade? Se acontecesse algo com eles, teria que vender minha alma pra consertar.

A van estava estacionada bem em frente a uma das saídas do aeroporto e já matinha suas portas abertas, pra facilitar a entrada de todos, caso existisse algum problema. Sem muita demora, já estávamos todos acomodados dentro do veículo.

- Bom, depois da coletiva, vocês terão o dia livre pra fazer o que acham melhor. - Bon-Hwa exclamou, enquanto seguíamos ao nosso destino. – Só não se esqueçam de levar Ana com vocês, pois somente ela fala português aqui. Ok?

Todos eles concordaram, enquanto eu pedia em silencio pra que só quisessem dormir o resto do dia, pois era esse o meu desejo naquele momento.

Chegamos a um hotel no centro de São Paulo e todos desceram da van e seguiram pros seus respectivos quartos. Já havia algumas pessoas da equipe e da produtora no local, dessa forma adiantaram uma boa parte do famoso trâmite de hospedagem.

5º andar, quarto 231. Esse era o meu, um andar acima dos meninos, e estou exausta. Mas ainda tem a coletiva. Coletiva essa que eu estaria junto deles. E não tenho a mínima ideia de como funcionaria.

Espero que seja mais rápido possível.

Joguei minha mala em cima da cama, e comecei a procurar por alguma peça de roupa casual o suficiente pra poder não chamar a atenção na coletiva. Não era essa a finalidade, e bom, pra ser sincera, posso amarrar uma melancia no pescoço que nada vai desgrudar o olhar de todos ao grupo.

Calças jeans, uma blusa de tecido fino na cor preta e um tênis foram separados. Eu preciso de um banho.

Banho esse que foi interrompido graças a... Batidas na porta. Meu Deus, quem será?

Segui em passos lentos, eu diria que estava arrastando meu corpo até a porta. E ao abri-la acordei, de forma automática, ao ver aqueles cinco garotos invadindo o local.

- O que vocês querem agora? – perguntei, observando JR e Ren se jogarem na cama. – No quarto de vocês não tem cama?

- Eu quero ir ao shopping. – Baekho exclamou.

- Vocês têm uma coletiva daqui a pouco. – rebati. – E eu estou cansada.

- Eu sei, noona. – MinHyun murmurou, enquanto eu seguia até a cama, jogando JR no chão que ficou entregue aos risos. – Mas, em Curitiba a gente foi a um shopping, e queríamos fazer isso aqui.

- E como vocês vão andar em um shopping, sendo que aqui é onde existe a maior concentração de k-popper do país? – resmunguei, tentando encontrar uma forma de mantê-los quietos.

- A gente dá um jeito. – JR exclamou, sentado no chão a minha frente.

- Noona. – dessa vez, era Ren que choramingava no meu ouvido. – Prometemos nos comportar.

- Como se eu não conhece vocês. – rebati e ele acabou rindo. – Vou pensar... Mas agora preciso de um banho.

- Precisa de ajuda? – Jr perguntou e de forma automática todos começaram a rir. – Sei lá, lavar as costas é meio difícil.

- Vai lavar as costas do Aron, a minha não. – exclamei enquanto todos seguiam até a porta, e acabei rindo ao receber um olhar reprobatório de Aron.


Após praticamente expulsa-los do quarto, percebi o quanto já estava acostumada com eles. Cada um deles tinha dominado uma parte do meu coração, e pra ser sincera, sem nenhum esforço. Eu vou sentir falta de tudo isso.

Texto: Denn
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